minha coleção é La Pléiade mas também tenho completa em Português

Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust, foi um divisor de águas na minha vida. Cheguei a dividir o mundo entre as pessoas que leram e as que não leram essa obra. Não sei se é possível simplesmente ler essa obra-prima sem senti-la, de todo modo não estou falando de ler “mecanicamente”, estou falando de sentir os sentimentos daquelas personagens, com suas dores e encantamentos.
Uma obra para transformar a vida de quem se dispuser a entrar nessa jornada. Comecei a ler em 2013, sozinha, e em 2014 me juntei a um grupo que concluiu a leitura em 2016.
Escrevendo agora essa data, me atento à coincidência: justamente em 2016, quando estava concluindo a leitura do sétimo volume, me senti muito estranha. No dia do meu aniversário de 55 anos, acordei sozinha num quarto de hotel em Palo Alto me sentindo muito estranha. No dia anterior já havia passado a tarde no hospital de Stanford tentando diagnosticar uma dor no pé. Só que acabei topando com um médico surfista lindo e bronzeado. Quando levantei o olhar e dei de cara com aquele deus musculoso e dourado com olhos turquesa paraíba tive um ataque de riso de puro nervosismo. Quem achar que eu estou exagerando o nome dele é Davi Pomeranz, podem conferir, aquela beleza ainda dura pelo menos uns 20 anos.
Em 2015 já havia feito um movimento de saída do Brasil me candidatando a uma bolsa de 10 meses em Stanford. Não foi apenas pela intenção de sair do Brasil (de dar um outro sentido à vida?)que me candidatei.Sou, de fato, sou uma jornalista apaixonada por esse ofício que atualiza suas ferramentas mas conserva sua essência primordial que é fundamentalmente coletiva, social, voltada para a vida em sociedade, para a justiça e o bem estar individual e coletivo. Eu tenho esse amor pelo coletivo, por aquele que eu não posso tocar mas que estou tocando de uma forma indireta, como se para evitar o envolvimento, o apego. #workinprogress

Estava aqui pensando no significado de se tornar e, por algum motivo desconhecido por mim, devenir pulou na frente, na minha memória, embora eu estivesse escrevendo em Português Brasileiro. Pode parecer desnecessário, sendo eu uma brasileira,  especificar que o Português que eu falo é Brasileiro (por que não botar nosso Brasileiro em caixa alta?). Os franceses, por exemplo, dizem que nós falamos o Brésilien  e eu acho muito sensato da parte deles.  Nossa língua, principalmente falada, não tem absolutamente nada a ver com a falada em Portugal. Uma vez, numa fila de check-in em Londres, pensei que estivessem falando alguma língua do Leste europeu e era Português!!! Eu não tinha entendido uma palavra! Isso pra não mencionar a lógica, que se é outra ao pensar, obrigatoriamente tem que ser outra ao falar e escrever. Leia mais