A Escrita Criativa é o primeiro passo para transformar suas ideias em realidade. Neste espaço, os sonhos ganham forma e se tornam tangíveis. Aqui, você encontrará uma seleção exclusiva dos meus projetos já realizados, assim como aqueles que ainda estão em gestação.
Venha manifestar seus sonhos junto comigo através da Escrita Criativa.
A Escrita Cocriadora é um ecossistema de práticas de escrita que permitem transformar experiência em linguagem. Seja essa experiência marcada por dor, vazio e ruptura, seja por desejo, visão e construção de futuro.
A dimensão curativa existe, mas não define o todo. Ela é uma das entradas possíveis.
A dimensão curativa: quando a escrita ressignifica a dor
Em muitos casos, a Escrita Cocriadora começa pela necessidade de dar forma ao que dói: perdas, lutos, dúvidas, silêncios, experiências sem linguagem.
Nesse eixo, a escrita atua como um processo transformativo:
a dor não é negada nem “curada” no sentido terapêutico clássico;
ela é ressignificada, deslocada de um lugar de peso para um lugar de sentido;
o que era experiência bruta se transforma em matéria criativa.
Aqui, escrever é atravessar, organizar, metabolizar.
A dor deixa de ser um fim e passa a ser um ponto de partida criativo.
A dimensão cocriadora: escrever sem passar pela dor
Mas a Escrita Cocriadora não depende da dor para existir.
Ela também pode operar de forma prospectiva, quando a escrita é usada para:
imaginar futuros possíveis;
construir identidade, projetos e narrativas de si;
escrever a partir do desejo, da intenção e da visão.
Nesse eixo, a escrita não olha para trás — olha para frente.
Ela não transforma dor em linguagem, mas transforma intenção em realidade simbólica.
Essa é a escrita como ato de cocriação consciente:
escrever não para entender o que foi, mas para dar forma ao que ainda não é.
Escrita de si, retrospectiva e prospectiva: um sistema integrado
A Escrita Cocriadora integra diferentes movimentos de escrita:
escrita de si, como construção de identidade e sentido.
journaling
E, obviamente, a escrita criativa com seu amplo leque de possibilidades.
Esses movimentos não são etapas fixas nem hierárquicas.
Eles se articulam conforme o momento de vida, a necessidade e o desejo de quem escreve.
Por isso, falar em ecossistema faz sentido: não se trata de uma técnica única, mas de um ambiente de transformação, onde diferentes formas de escrita convivem, se alimentam e se atravessam.
O que define a Escrita Cocriadora
O que unifica esse ecossistema não é o tema da dor, nem a promessa de cura, mas o gesto central:
A Escrita Cocriadora não é terapia, embora possa ser profundamente transformadora.
Não é apenas escrita criativa, embora gere obras, textos e projetos.
Ela é um processo de transformação pela linguagem, que pode partir da dor ou do desejo — e, muitas vezes, dos dois.
https://ticianaazevedo.com/wp-content/uploads/2026/02/pexels-katya-wolf-8715936-scaled.jpg17072560ticianahttps://ticianaazevedo.com/wp-content/uploads/2019/06/talogom.fw_.pngticiana2026-02-01 09:36:192026-02-01 10:18:23Escrita Cocriadora: um ecossistema de criação e transformação
Acabei de assistir a Hamnet (2025), o filme dirigido pela aclamada Chloé Zhao (vencedora do Oscar por Nomadland), e fiquei especialmente tocada porque ele fala de como a dor pode ser ressignificada em forma de arte. A obra, baseada no romance homônimo de Maggie O’Farrell, narra a história da família de William Shakespeare e a perda de seu filho, Hamnet, aos 11 anos de idade.
O filme, estrelado por Jessie Buckley e Paul Mescal, um ator comovente, é uma meditação visualmente poética sobre o luto e a criação. Ele postula que, após perder o filho para a peste em 1596, o bardo de Stratford-upon-Avon não se cala ou se afoga na dor, mas a transforma em linguagem, escrevendo Hamlet (cerca de 1600-1602). Não como homenagem piegas, mas como criação viva. Dor que vira arte.
Aquilo me atravessou porque é exatamente isso que proponho com a Escrita Cocriadora, mas especificamente seu aspecto Escrita CurAtiva, para aqueles que estão familiarizados com o meu ecossistema. Escrever não como catarse vazia, mas como forma de dar sentido ao que não tem lógica. Transformar perda em presença, ausência em linguagem.
O que é escrita criadora e por que ela transforma
Meu método é empírico. Nasceu de uma vivência íntima e da observação de como eu havia transformado dor em cura, cura em satisfação e, futuramente, em realização de sonhos. Por isso, o aspecto curativo está inserido no cocriador, no qual entra o aspecto curador, no sentido de curadoria do que entra (e como entra) e o que sai (e como sai) da vida do-a Cocriador-a.
Isso está cristalino em Hamnet: como transformar dor em arte, ou ao menos em qualquer coisa que dê sentido e te liberte do sofrimento. Pois tentar ignorar e arrastar para baixo definitivamente não é uma opção para quem deseja usufruir o melhor de sua própria existência. Como muito bem ilustrou uma amiga minha, “ser humano não tem ralo”. Se tivesse, seria muito fácil escoar o indesejado, não é mesmo?
Na Escrita Cocriadora, a escrita é ferramenta, processo, travessia e produto final.
Ela envolve uma escuta profunda do que está vivo em você, seja dor, dúvida ou vazio. Você escreve para organizar ideias, mas principalmente para se encontrar dentro delas. E, quando isso acontece, algo se move. Algo se cura e se transforma.
O filósofo Alain de Bottonfala disso de outro ângulo: sobre como a arte nos permite reconhecer o que sentimos, mesmo quando não sabemos nomear. É isso. A escrita, quando feita desse lugar, nos devolve a nós mesmos com mais nitidez.
Escrever a partir da dor não é se afogar nela
Quando me refiro à Escrita CurAtiva (uma dimensão essencial do ecossistema da Escrita Cocriadora) não estou falando de autoajuda. É sobre superação, sim, mas uma superação que acontece pelo meio criativo. É o movimento de transformar a dor em algo novo, e a beleza disso é que não é necessário ser um Shakespeare para trilhar esse caminho.
Hamnet ilustra essa transição com uma delicadeza brutal: o palco surge como um espaço de cura simbólica. É exatamente o que testemunho quando um-a Cocriador-a mergulha no meu processo: a dor deixa de ser um peso estático para se tornar matéria-prima, transformando-se em algo que gera prazer, sentido e realização.
Não se trata de aprender a escrever “bem” seguindo regras rígidas. Trata-se de escrever a partir de um lugar que pulsa verdade. E autenticidade é a melhor matéria-prima de que se pode dispor, com uma potência que supera qualquer técnica.
A escrita que te devolve a ti mesmo-a
A arte não salva no sentido romântico. Mas ela transforma. E transformar já é uma forma de salvação.
Se Hamnet mostra como o luto pode virar linguagem viva, a Escrita Cocriadora mostra como qualquer experiência humana, seja dor, desejo, vazio ou êxtase, pode encontrar forma e sentido através da escrita.
Se você sente que tem algo dentro que quer ser dito, mas ainda não sabe como, é isso que a Escrita CoCriadora oferece.
No caso de Shakespeare, o que ficou foi Hamlet, onde o nome de seu filho ressoa e se eterniza. No seu caso, o que fica pode ser um texto, um livro, uma fala ou um simples gesto escrito, mas um gesto que revela quem você realmente é quando todas as outras camadas caem.
Quer saber mais sobre a Escrita Cocriadora? Leia aqui ou me manda um email: ticiana@ticianaazevedo.com
https://ticianaazevedo.com/wp-content/uploads/2026/01/Hamnet.jpg.webp7121080ticianahttps://ticianaazevedo.com/wp-content/uploads/2019/06/talogom.fw_.pngticiana2026-01-31 11:46:172026-02-01 09:51:46O palco como espelho da alma: O que Hamnet revela sobre a escrita que transforma
Salvador Dalí, The Persistence of Memory (1931): os relógios derretidos lembram que o tempo não é imutável — é matéria maleável da experiência.
Há dois conceitos da antiga Grécia para o que todos chamam de tempo. Chronos é a régua, aquele ponteiro do relógio ou os números do digital se movendo. O fluxo linear que arrasta tudo. Aquele “tempo não para”cantado por Cazuza. O outro é o Kairos, aquele instante mágico quando o encontro raro acontece e o mundo se abre para algo novo. Um mede; o outro valora. Quem vive a vida inteira na contagem de Chronos tenta ajustar o tempo em planilhas; quem encontra Kairos descobre que um minuto pode conter uma vida e que ele é infinito enquanto dura, plagiando o Poetinha.
O presente como núcleo comum
Para Santo Agostinho, o tempo é experiência da alma, não está “lá fora”. O presente é o único tempo real: o passado subsiste apenas na memória, o futuro só existe como expectativa, e só o presente toca a pele. O resto é invenção necessária para que a alma não se perca.
Eckhart Tolle, pensador espiritual contemporâneo e autor de O Poder do Agora, ecoa de outro lugar essa mesma intuição: o tempo psicológico — feito de passado e futuro — é uma construção da mente. O único tempo real é o presente. Habitar o agora é habitar a vida em sua essência, libertando-se da obsessão com o ontem e com o amanhã. Essa atenção radical não é passividade, mas presença plena, que abre espaço para um tempo mais silencioso e verdadeiro.
Einstein, físico que alterou para sempre nossa visão do cosmos, deixou uma frase que atravessa tanto a ciência quanto a filosofia: a distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma “ilusão persistente”. O tempo, para ele, não corre como rio, mas pode ser visto como um bloco em que todos os momentos coexistem. A consciência humana é que percebe esse bloco em sequência, como se fosse fluxo.
Agostinho, Einstein e Tolle se aproximam, ainda que por caminhos distintos. Em todos, o presente emerge como núcleo do tempo — seja como instante de consciência, seja como horizonte físico, seja como experiência da alma.
Proust e o tempo reencontrado na memória
Marcel Proust, por sua vez, mostra que o tempo perdido não se recupera pelo relógio, mas pela memória involuntária, quando um sabor ou um perfume despertam mundos inteiros do passado. O tempo reencontrado é o tempo transformado em linguagem, em obra, em arte. A literatura, para Proust, é um modo de vencer Chronos e convertê-lo em Kairos.
Três pensadores, três modos distintos de pensar o tempo
Heidegger, filósofo existencialista alemão do século XX, desloca a pergunta sobre “o que é o tempo?” para a concepção de que o tempo é modo de ser. Não se trata de definir uma coisa, mas de reconhecer: quem somos nós enquanto seres temporais? O tempo é a estrutura mesma da existência humana (Dasein). Nós não apenas existimos no tempo, mas somos tempo: projetados em direção ao futuro, carregando um passado que nos constitui e habitando um presente que nunca se fixa. Essa tríplice dimensão — passado como já-sido, futuro como possibilidade, presente como presença é o que dá sentido ao ser humano. O tempo, portanto, não é um cenário onde a vida acontece, mas o tecido do próprio viver. O humano é este ser aberto para o porvir que sabe da sua finitude; é no horizonte do fim que o agora pesa.
Por sua vez, o filósofo francês Henri-Louis Bergson, ligado ao espiritualismo e à intuição, insurge-se contra os relógios. Para ele, a consciência não se divide em instantes, mas se alonga numa duração contínua, onde cada momento adere ao outro numa continuidade elástica que constitui a vida vivida. E então chegamos a nossa época, com Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano contemporâneo radicado na Alemanha, acendendo uma luz incômoda: nunca estivemos tão livres e tão exaustos. A corrida não tem chefe gritando; é a própria pessoa que se cobra, se mede, se esgota. Em sua análise da sociedade do desempenho, o sujeito é explorador e explorado de si mesmo. “Não tenho tempo” vira mantra e medalha.
Três pensadores, três modos distintos de nos mostrar que o tempo é menos um dado e mais uma experiência.
O luxo de habitar o próprio tempo
O tempo é luxo? Ou é prioridade, escolha, perspectiva, sabedoria?
Dizer não é criar tempo. Cada limite é uma pequena usina de Kairos: abre-se espaço para conversas sem correria, leituras por prazer, trabalhos que não são somente tarefa. Não se trata de “ganhar horas”; trata-se de espessar as que existem. Ter tempo é ter atenção, interesse, dedicação. Amor.
Se há uma definição aceitável de luxo, talvez seja esta: poder habitar o próprio tempo. É quando Kairos encosta a mão no ombro de Chronos e o relógio, por um instante, concorda.
https://ticianaazevedo.com/wp-content/uploads/2025/08/The-Persistence-of-Memory.jpg570750ticianahttps://ticianaazevedo.com/wp-content/uploads/2019/06/talogom.fw_.pngticiana2025-08-20 19:07:252025-08-20 19:07:25Tempo de Escolha
O arco da personagem Liz Sparkle, em A Substância, evoca a figura mitológica de Medusa. Ambas as personagens, embora de contextos diferentes, compartilham uma tragédia comum: a transformação irreversível. Resultado de sua relação com o tempo, a beleza e a busca por um ideal inatingível. A analogia entre Liz e Medusa não é apenas visual. Ambas compartilham de um destino trágico, refletindo as complexidades do envelhecimento, da autossabotagem e da luta contra o destino.
A Transformação e a Decadência de Medusa e Liz
Medusa, na mitologia grega, é uma mulher bela transformada em um monstro pela punição divina. Tem serpentes em seu cabelo e um olhar que transforma tudo o que toca em pedra. Esse processo de transformação é fundamental para compreender o paralelo com Liz, cuja busca desesperada por juventude e fama resulta em uma transformação igualmente monstruosa.
A cena final, com Liz cercada de vísceras e rastejando até a estrela da calçada da fama, remete à figura de Medusa, com seu olhar petrificante e sua aparência decadente. Liz, como Medusa, se vê aprisionada em uma imagem que já não pode mais sustentar. Mas que persiste até o fim, levando-a à autodestruição. Sua transformação é fruto de uma busca constante para manter um status e uma identidade que, inevitavelmente, se desintegram.
O Olhar Perigoso de Medusa e a Punição de Liz:
Medusa, ao longo de sua existência, se torna uma figura temida. Seu olhar é fatal, petrificando aqueles que a encaram. Em sua solidão, ela se torna uma personificação da punição por desafiar o que é imutável – no caso, a passagem do tempo.
Da mesma forma, Liz busca congelar o tempo, lutando contra a inevitabilidade do envelhecimento e da obsolescência social. Sua busca incessante por reconhecimento e validação é, em última análise, uma tentativa de escapar das punições que a sociedade impõe aos que envelhecem, especialmente às mulheres.
Liz, em sua negação, acaba se tornando uma figura igualmente petrificada: uma mulher que, ao tentar manter sua juventude e beleza, se vê transformada em algo irreconhecível. Sua vida e identidade reduzidas à busca insana por algo que já não é mais possível.
O Desespero e a Impossibilidade de Aceitação:
O arco de Liz Sparkle, em A Substância, e a tragédia de Medusa representam figuras tragicamente presas a um ideal que as consome. Medusa, que é transformada em um monstro, é uma personagem que não pode se libertar de sua condição. Ela vive em uma constante batalha contra sua própria transformação, incapaz de olhar para si mesma sem causar a destruição de tudo ao seu redor.
Liz, igualmente, é uma mulher que se recusa a aceitar o envelhecimento e a transformação natural da vida. Sua resistência a aceitar sua velhice reflete um desespero que, longe de trazer uma resposta ou redenção, a empurra cada vez mais para a perda de sua própria identidade.
A incapacidade de Liz de se confrontar com sua condição a faz, paradoxalmente, mais distante de quem ela realmente é e mais próxima de uma versão distorcida de si mesma.
O Destino e o “Olhar Final”
Na mitologia, Medusa é uma figura isolada e solitária, marcada pela sua maldição, e sua morte. Ou a morte simbólica daqueles que a encaram – é inevitável. A cena final de Liz, rastejando até a estrela da calçada da fama, revela essa tragédia similar: uma mulher que, ao não conseguir aceitar sua condição, se vê forçada a viver em busca de um passado que já não pode ser recuperado.
Liz, como Medusa, é uma vítima de sua própria busca por um ideal irreversível, uma mulher que não consegue encontrar um novo significado para sua existência e que, em última instância, se perde em um ciclo vicioso de negação e frustração.
Medusa por Caravaggio
A analogia entre o arco de Liz Sparkle e a tragédia de Medusa em A Substância não é apenas uma questão de similaridade visual, mas de uma transformação simbólica que envolve a perda de humanidade, a luta contra a inevitabilidade do tempo e a busca desesperada por um ideal que nunca poderá ser atingido. Liz, como Medusa, é uma figura condenada a uma existência marcada pela transformação e pela punição, incapaz de se libertar de suas próprias escolhas. O paralelo entre as duas personagens, portanto, serve como uma reflexão profunda sobre os perigos de se apegar a um ideal de juventude e fama, e sobre o preço que se paga quando se recusa a aceitar o envelhecimento e as mudanças naturais da vida.
https://ticianaazevedo.com/wp-content/uploads/2025/01/Screenshot-71-1-e1736986739626.png8861683ticianahttps://ticianaazevedo.com/wp-content/uploads/2019/06/talogom.fw_.pngticiana2025-01-16 08:58:582025-01-16 09:00:51O Arco de Liz Sparkle e a Tragédia de Medusa: A Substância
Experimentei o poder transformador da Jornada do Herói na minha vida, antes mesmo de saber do que se tratava. Quando comecei a escrever sobre a personagem Sofia, num momento desafiador da minha vida, eu não fazia ideia de que estava, na verdade, trilhando o caminho da Jornada do Herói — ou, no meu caso, da Heroína.
É curioso como algumas descobertas na vida surgem de forma totalmente intuitiva, como se um fio invisível nos conduzisse a uma verdade que estávamos destinados a encontrar. Sem saber, segui os passos de uma estrutura milenar conhecida como monomito, identificada por Joseph Campbell e adaptada por muitos autores, como Christopher Vogler, para nos guiar no processo de contar (e recontar) histórias.
No centro dessa estrutura está a transformação: um herói ou heroína que sai do mundo comum, enfrenta desafios e retorna com uma nova perspectiva, pronto para transformar a si mesmo e o mundo ao seu redor. Foi exatamente isso que aconteceu comigo — e com Sofia.
A Intuição que Conduz a Jornada
Porém, naquela época, eu não tinha sequer ouvido falar sobre a Jornada do Herói, muito menos imaginava seu poder transformador. Tudo começou como uma simples tentativa de colocar em palavras a dor que eu sentia, criando um espaço seguro para processar minhas emoções. Sofia, minha personagem, não era apenas uma ficção: ela era um reflexo de mim mesma, enfrentando medos, derrotas e, eventualmente, descobrindo a coragem que sempre esteve dentro dela. Foi através de Sofia que comecei a imaginar um novo roteiro para minha própria vida.
Ao encontrar redenção para ela, encontrei também para mim. Percebi que, ao projetar sua transformação, eu estava inconscientemente escrevendo meu próprio caminho de cura. Esse processo intuitivo me levou, mais tarde, a estudar a fundo a estrutura da Jornada do Herói e a compreender que, assim como na ficção, podemos reescrever nossas próprias histórias.
A Jornada do Herói: Uma Estrutura Universal
O monomito, ou Jornada do Herói, simplificado por Vogler, é composto por 12 etapas principais, divididas em três grandes atos: Partida, Iniciação e Retorno.
Essas etapas incluem:
Mundo Comum: O ponto de partida, onde o herói vive sua vida cotidiana.
Chamado à Aventura: Algo disruptivo acontece, desafiando o herói a mudar.
Recusa do Chamado: O herói hesita em aceitar a missão.
Encontro com o Mentor: Uma figura de orientação surge para ajudar o herói.
Travessia do Primeiro Limiar: O herói entra no mundo desconhecido.
Testes, Aliados e Inimigos: Ele enfrenta desafios, faz alianças e descobre quem são seus verdadeiros inimigos.
Aproximação da Caverna Oculta: Um momento de preparação para o grande desafio.
Provação: O herói enfrenta seu maior obstáculo.
Recompensa: Ele supera a prova e ganha algo valioso.
Caminho de Volta: O herói retorna ao mundo comum.
Ressurreição: Um último teste confirma a transformação do herói.
Retorno com o Elixir: O herói retorna com o conhecimento ou poder que beneficiará a comunidade.
Ao estudar essa estrutura, percebi que ela não se limita às histórias ficcionais — é também uma ferramenta poderosa para reinterpretarmos e ressignificarmos nossas próprias experiências.
Escrever é Imaginar, Imaginar é Transformar
Há algo incrivelmente poderoso no ato de escrever. Quando colocamos no papel nossos medos, esperanças e desejos, criamos um espaço para a transformação. De maneira idêntica, foi isso que aconteceu comigo. E pode acontecer com qualquer pessoa. Ao escrever sobre Sofia, eu não estava apenas criando uma narrativa: eu estava me reimaginando.
Quando Sofia decidiu ir para Londres, era um reflexo do que eu gostaria de fazer. Dez anos depois, foi exatamente isso que aconteceu: fiz as malas, vim para Londres e, hoje, vivo aqui. Isso mostra como a imaginação, quando materializada em palavras, tem o poder de moldar nossa realidade. Por isso aplico o poder transformador da Jornada do Herói na minha vida.
Essa ideia se conecta com conceitos como “fake it till you make it“ ou, em Portugues, “aja como se”: ao imaginar um novo futuro e, mais importante, materializá-lo em palavras — seja num caderno, num documento digital ou em qualquer outro formato —, começamos a acreditar nessa nova realidade. E é aí que a magia acontece: a transformação interior ganha força e se manifesta no mundo real.
A Jornada do Herói Como Ferramenta de Vida
Hoje, olhando pra trás, vejo como a Jornada do Herói me ajudou a superar momentos difíceis e a encontrar um novo rumo. Contudo, foi esse processo intuitivo que me levou a estudar roteiro, entender as estruturas narrativas e, finalmente, concluir que podemos, sim, escrever o roteiro de nossas vidas. Afinal, as histórias que são contadas não são histórias de vida? Cada um de nós tem o potencial de ser o herói ou a heroína de sua própria história.
Então, se você se encontra em um momento de crise ou transição, talvez seja hora de pegar uma caneta (ou abrir um documento no computador) e começar a escrever. Primeiramente, imagine-se como o protagonista de sua própria jornada. Encare seus desafios como etapas necessárias para o crescimento. E lembre-se: o retorno ao mundo comum, transformado e fortalecido, é apenas o começo de um novo ciclo.
Porque, no final das contas, as histórias que contamos — tanto para os outros quanto para nós mesmos — têm o poder de curar, transformar e inspirar.
https://ticianaazevedo.com/wp-content/uploads/2024/12/JornadaHeroi.webp5121024ticianahttps://ticianaazevedo.com/wp-content/uploads/2019/06/talogom.fw_.pngticiana2024-12-19 11:08:362025-01-17 09:21:10A Jornada do Herói e o poder de transformar a Sua Vida
Quer transformar sua vida usando apenas papel e caneta?
Por acaso, você já ouviu falar sobre escrita terapêutica ou escrita expressiva? E na poderosa escrita criativa? Essas práticas podem transformar não apenas suas histórias, mas também sua vida.
Por isso, no meu curso “Conte Sua História, Cure Sua Vida”, ensino técnicas dessas duas abordagens para ajudá-lo a ressignificar suas vivências e encontrar cura – emocional e, muitas vezes, física. Chamo isso deescrita curativa.
A escrita é uma poderosa ferramenta a nosso dispor que tem o condão de revelar aspectos ocultos de nossas emoções e nos oferecer uma perspectiva renovada. Portanto, através da escrita criativa e terapêutica, você pode reorganizar seus pensamentos, expressar sentimentos e criar narrativas que proporcionem clareza e transformação.
Mas não é só isso! Você pode transformar suas dores em um livro, um filme, um podcast… Ou seja, fazer do limão uma limonada! E, ao fazer isso, encontrar realização e alívio ao se conectar com milhares de outras pessoas.
Foi exatamente isso que aconteceu quando publiquei meu livro “Seu Príncipe Pode Ser uma Cinderela”. Vocês acham que eu sabia disso? Que escrevi com essa intenção? Nada disso! Foi pura necessidade de botar tudo que estava me fazendo mal pra fora. Foi intuitivo. E quando tudo estava pronto… Que realização!
Por isso, sinto-me na obrigação de compartilhar essa experiência com outras pessoas.
Não sou terapeuta, psicanalista ou psicóloga; sou jornalista, escritora e roteirista que viveu essa experiência de cura através da escrita e agora quer ajudar outros a encontrar o mesmo alívio e realização ao ressignificar suas histórias.
Minha jornada com a escrita começou aos 10 anos, quando pedi e ganhei meu primeiro diário (o pequeno caderno aberto).
É claro que, naquela época, eu não sabia que aquilo se chamava “escrita terapêutica” – um termo que só seria cunhado na década seguinte. Tudo o que eu sabia era que precisava de um “confidente” para desabafar.
Desde então, nunca mais parei. Passei a registrar minhas emoções, frustrações, dúvidas, ideias e alegrias no papel. Cada página escrita me ajudava a organizar o caos interno, a entender melhor quem eu era e o que estava sentindo.
A foto ao lado é uma pequena amostra das pilhas de cadernos e diários que ainda guardo, testemunhas silenciosas de uma vida contada e ressignificada através da escrita.
https://ticianaazevedo.com/wp-content/uploads/2024/11/meusdiariosoriginal.jpg8261280ticianahttps://ticianaazevedo.com/wp-content/uploads/2019/06/talogom.fw_.pngticiana2024-11-03 16:39:082024-11-23 08:18:50Transforme sua Vida com a Escrita Criativa e a Escrita Terapêutica
Era uma vez uma menina que aos quatro aninhos ja sabia que queria ser uma transplantadora de coração. Na verdade, ela queria dar àquelas pessoas pessoas com corações debilitados, a oportunidade de viver mais uma vida e se permitir todas as possibilidades.
Dos 46 para os 47 anos, o coração da própria (agora não mais uma menina) mulher parou. Ela gostou muito da experiência de morrer sem parar de viver, e, como aquelas pessoas de coração debilitado que a menina queria curar, ela aceitou essa nova chance. E sua missão, que nem ela sabia, seria começar curando seu próprio coração.
Aos 49/50 ela experimentou a delicia que é lançar um livro e falar sobre ele com tanto entusiasmo e verdade, em shows de televisão, na Bienal Literária, etc. Ser ouvida e ter sua voz considerada. Ter retorno de platéias engajadas no assunto. E se divertir com a sua audiência.
Falando em coração, me cobrem um post sobre “Coração de Estudante” e aquele sonho-real com Milton Nascimento.
O último slide do anexo abaixo marca o inicio de uma nova temporada de Sofia. Essa temporada começou 22/01/2020 quando embarquei pra cá:
The Invisible Ark; A Morte me Cai Bem (Death Suits Me), e Heart Talks (nome provisorio) serao minhas primeiras cirurgias em coracoes feridos ou debilitados.
https://ticianaazevedo.com/wp-content/uploads/2019/08/Foto-4-e1573765559982.jpg17711350ticianahttps://ticianaazevedo.com/wp-content/uploads/2019/06/talogom.fw_.pngticiana2022-03-16 16:50:172022-03-19 12:05:26Preparem seu coracao, pras coisas que eu vou contar
Rio de Janeiro: Hoje é dia 5 de fevereiro de 2022 e estou passando a limpo uma anotação do dia 4 de agosto de 2019.
Dia 9 de abril de 2017 eu fiz 56 anos, ou seja, entrei no nono setênio, que é esse em que estou agora, e há pouco mais de dois anos. Decidi escrever minha autobiografia por setênios e, digamos, pra não deixar ninguém perdido, e caber no tempo razoável para vocês não levantarem entediados, resolvi começar a contar minha vida a partir do início desse meu atual setênio, e já estou sendo repetitiva…
Ai meu Deus! (divagando) Por favor, gente, aguenta um pouquinho mais, eu prometo que vou melhorar até o fim da minha temporada, aqui na Terra, ne?
(muda o tom para firme)
Anotem só uma coisinha no final de todas as nove temporadas aqui na Terra ou em outro lugar, no éter, em outra dimensão, todos nós somos anjos. Nós somos uma legião de anjos que se reconhecem quando se conectam pelo coração, pelo sentimento, como aquelas conexões da natureza vegetal com a natureza animal no filme de ficção Avatar. Não existe ficção. Tudo o que pode ser imaginado, pode existir, até porque existiu em primeiro lugar na imaginação de alguém. No caso do filme Avatar, ele foi desenhado, realizado e assistido por milhares de pessoas no mundo. Outro dia o Zé Mauro me disse que tem um parque temático “Avatar” e comentamos sobre a nossa conexão. Eu comento. Ele entende.
(fim da anotação)
A respeito da data 09/04/2017: Não tenho certeza, mas acho que a comemoração foi lá em casa, usando um vestido da Lenny que agora vou levar como saída de praia. Contratei um bartender e comprei um monte de bebida que nunca chegou a ser usada. Estava nos estertores daquele modelo.
Mas voltando ao dia de hoje, 05/02/2022, eu estou vivendo um dilema que espero que seja resolvido com paz de espírito, porque se não, não vale a pena. Tenho 13 dias até voltar para Londres e até agora a única solução que me foi oferecida foi entregar a Pipi para uma mulher desconhecida que “adora” maltês e que não quer nem que eu saiba sua identidade. Eu hein!! Vou entregar essa cachorrinha que eu me ocupei, ainda que de longe só emocionalmente, para uma emissária entregar a Cruz Vermelha, como a mãe em fuga de Kabul que entrega o filho bebê ao soldado? Não quero ser impolite, não, só que não”.
https://ticianaazevedo.com/wp-content/uploads/2020/05/2020-05-25-21.42.31-e1693573735590.jpg423293ticianahttps://ticianaazevedo.com/wp-content/uploads/2019/06/talogom.fw_.pngticiana2022-02-06 22:16:042023-09-01 10:24:33A verdade de cada um é única e volátil.
Aqui começo minha trilogia. Trilogia me lembra Tri bó bó. Fui com minha mãe ou minha avó? Não me lembro. Tribobó tem ouro. Tribobó tem bó, bó, bóó, borogodó!
A Origem
Passei anos sem saber por onde começar, nem o formato exato, até que ontem, decidi que começaria agora. NOW! Fosse esse agora mesmo ou ontem, quando tomei minha decisão. Não importa. O importante é começar.
Estou escrevendo minha vida de trás para frente e de frente para trás. O importante é que ela tenha principio, meio e fim, não importa a ordem. Quero pensá-la como um filme ou uma peça em três atos. Ou, voltando ao começo, à trilogia. Povavelmente terei que voltar várias vezes para esse começo.
Tres Atos ou Mais?
Agora, eu me vejo na passagem do segundo para o terceiro ato, como a Jane Fonda descreve a própria vida. Porem, como sou viciada em bons streamings, prefiro pensar em temporadas, ao invés de atos, ou no máximo numa trilogia
Boa parte desse conteúdo vai ser narrado por Sofia. Sofia é minha musa, a atriz que eu ainda não tive a coragem de ser, a sabedoria a qual corro atrás todos os dias e cujo processo descrevo aqui. Irá esse trecho para o prefácio? Ainda não sei de nada. Isso vai ser decidido enquanto organizo o meu material.
A HISTÓRIA DA PRINCESA QUE SE SALVOU SOZINHA
Como o próprio título deste volume deixa claro, essa é a história da princesa que se salvou sozinha e se transformou em rainha da sua própria vida.
A MORTE ME CAI BEM
Por que a morte me caiu bem?
Dia 27 de fevereiro de 2008 eu morri.
Vou contar essa experiência extraordinária pra vocês, mas nunca acho que está bom o suficiente para ser compartilhada. De mais a mais, se foi tão extraordinária e impactante, aonde essa experiência se reflete na minha vida?
Margueritte Duras
De março ao final de junho, aconteceram tantas coisas que não tive o tempo necessário para digerir aquela experiência tão fascinante que mudaria a minha vida. O fato é que hoje, aos 60 anos beirando os 61, eu sou a escritora que sonho ser. Não me importo se ganho apenas R$100 ao longo de seis meses com a minha publicação. O fato é que sou uma artista (escritora e roteirista) e ainda que essa atividade não me renda o suficiente para me sustentar, essa é a minha nova profissão. Margueritte Duras , minha musa, era escritora e roteirista.
Poster do filme belissimo baseado no livro de Margueritte Duras
L’Amant
Um dos filmes mais lindos que assisti várias vezes é L’Amant – prefiro em francês. A foto acima que ilustra o post tirei no delta do Mékong. Ali Margueritte Duras viveu na infância e é onde se passa o filme no qual ela relata seu romance com um herdeiro asiático milionário cujo pai não toleraria o casamento com uma moça de outra raça-religião. Margueritte era branca e francesa. Eu era louca pra fazer esse percuso e tive o privilégio de fazer na virada de 2014 para 2015.
Voltando ao dia da minha morte, depois veio mais uma outra noticia impactante e então o lançamento do meu livro no dia 24 de Abril/ou Maio de 2010.
https://ticianaazevedo.com/wp-content/uploads/2022/01/P1030220-scaled.jpg19202560ticianahttps://ticianaazevedo.com/wp-content/uploads/2019/06/talogom.fw_.pngticiana2022-01-21 21:22:492025-01-11 07:30:03princípio, meio e fim